Associação Nova Vida
As anfetaminas são
medicamentos sintéticos que foram usados antigamente
para tratamento da depressão. Hoje em dia, com mais de
100 antidepressivos que não causam dependência no
mercado, é inadmissível o uso de anfetaminas para
tratamento da depressão.
Existe somente um
medicamento baseado em anfetamina no Brasil com uso
justificável na Medicina: o metilfenidato. Este
medicamento é específico para o uso em crianças antes
da puberdade com transtorno de hiperatividade que não
responderam a tratamento não-medicamentoso e aos
antidepressivos, que não geram dependência. Nestas
condições, em crianças pré-puberdade com
transtorno de hiperatividade, as anfetaminas não geram
dependência. O único uso médico recomendável de
anfetamina em adultos é para alguns transtornos do sono,
raríssimos.
As anfetaminas são
drogas estimulantes do SNC, causadoras de euforia. Salvo
alguns detalhes de interesse somente médico, os efeitos
e a capacidade de gerar dependência das anfetaminas são
similares aos da cocaína.
A dependência de
anfetaminas aparece rapidamente.
Existem duas faces do
problema de dependência e abuso de anfetaminas no
Brasil: um legal, outro ilegal.
Os derivados de
anfetamina são parte integrante dos inibidores de
apetite, usados em regimes de emagrecimento, tanto dos
medicamentos fabricados em laboratórios farmacêuticos,
como das "fórmulas de emagrecimento"
preparadas em farmácias de manipulação. Receitados e
tomados como parte integrante de regimes de emagrecimento
(ou pior, em substituição aos esquemas progressivos de
controle de peso baseados no controle do aporte de
calorias na alimentação e aumento do gasto de calorias
através do condicionamento físico gradual),
freqüentemente escapam do controle do médico e do
próprio paciente, que passa a viver uma dependência
química. Com grande freqüência, o paciente acaba
consultando vários médicos em busca de receitas do
remédio "com que faz tratamento", e que tem
que tomar "senão engordo de novo", ou pior,
busca no mercado ilegal a droga para suprir sua
dependência.
Como a maioria das
pessoas que tomam inibidores de apetite são mulheres
jovens com alguns quilos a mais e uma grande consciência
de seu corpo, estas constituem uma grande parcela dos
dependentes de anfetaminas no Brasil.
Como as anfetaminas,
além de suprimir o apetite, também prejudicam o sono e
causam irritabilidade e ansiedade, na tentativa de
contrabalançar estes colaterais, um calmante
benzodiazepínico (que, por sua vez, também é gerador
de dependência) é acrescentado à anfetamina na maioria
dos medicamentos e fórmulas manipuladas. É como alguém
dizer, "Posso tomar minha sopa a 100°C, porque com
ela vou tomar um copo de água gelada a 1°C. A média é
cerca de 50°C, uma boa temperatura para uma sopa!".
Só que nunca o resultado é 50°C na prática. O mesmo
ocorre nas associações de anfetaminas e
benzodiazepínicos: algumas pessoas reagem mais aos
benzodiazepínicos, outras à anfetamina, mas em todos os
casos o que se obtém da associação dos dois é somente
a adição de mais efeitos colaterais.
Por exemplo,
freqüentemente, as anfetaminas produzem depressões
graves em pessoas predispostas, pois são
"auxiliadas" na tarefa pelo calmante.
A única associação que
funciona para quem quer perder peso sem perder saúde é
a de dieta controlada + exercício físico. Infelizmente,
não existem soluções rápidas e fáceis...
As anfetaminas, sendo
baratas e de fácil fabricação, mantém um comércio
clandestino bastante rico no Brasil e em outros países.
Apelidadas de "boletas" ou "rebites",
são facilmente encontradas a preço módico nos lugares
mais inapropriados, como alguns postos de combustíveis e
restaurantes de beira de estrada. Ninguém sabe
exatamente de onde vêm, mas o suprimento é contínuo.
São usadas por alguns
motoristas profissionais, principalmente de veículos de
carga, para diminuir o sono e lhes permitir dirigir por
longos períodos. Isto representa um perigo para o
usuário e para os demais motoristas da estrada, pois, se
o sono diminui a capacidade de dirigir com segurança, a
anfetamina pode cortar o sono, mas não atenua a fadiga,
somente a mascara, e acrescenta os seus próprios efeitos
de diminuir a concentração, perturbar o raciocínio e o
controle dos impulsos à limitação da fadiga. A melhor
maneira de aliviar o cansaço, a fadiga e o sono, ainda
é dormir.
Estudantes,
ocasionalmente, em véspera de provas, usam anfetaminas
para permanecerem acordados estudando durante a noite. Da
mesma maneira, a anfetamina tira o sono, mas provoca
desconcentração e ansiedade, reduzindo a capacidade de
ler e estudar, além da fadiga, que não é retirada pela
droga: se não a sentimos, não significa que não está
mais lá. A depressão, a ansiedade e a fadiga
acumuladas, no dia seguinte, são péssimas coisas para
se levar para provas. Novamente, nenhum medicamento
substitui o estudo progressivo e diário.
Dependentes de drogas por
vezes fazem complicados esquemas de drogas, que podem
incluir anfetaminas. O resultado por vezes é desastroso,
pois associações de drogas psicoativas freqüentemente
dão resultados desfavoráveis; os que têm a sorte de
não desenvolverem inibição respiratória ou parada
cardíaca, geralmente entram em um ciclo vicioso de
drogas: "Preciso de duas destas para acordar, e duas
destas para dormir".
Alguns desportistas tomam
anfetaminas, uma forma de doping
para obterem maior sentimento de energia. No entanto, a
fadiga e o cansaço são mecanismos de defesa, com uma
finalidade biológica clara: evitar que exageremos e
causemos dano ao corpo por atividade excessiva. Atletas
em uso de anfetamina estão também em especial risco de
aumentos fatais de pressão arterial e falha cardíaca
por arritmia ou infarto. E as anfetaminas perturbam a
coordenação motora, fundamental em todos os esportes.
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Última atualização desta página: 29/08/99