Associação Nova Vida
Todos
são potencialmente geradores de dependência, e portanto
classificados como "faixa preta", sendo que
somente podem ser legalmente adquiridos nas farmácias
com uma receita "azul" (notificação tipo B).
A maioria são calmantes
gerais, que induzem mais ou menos sono, de acordo com a
substância. Alguns dos nomes mais comuns são
Brozepax®, Calmociteno®, Diazepam, Dienpax®,
Frisium®, Frontal®, Kiatrium®, Lexotan®, Lexpiride®,
Limbitrol®, Lorax®, Lorium®, Olcadil®, Psicosedin®,
Somalium®, Tensil®, Tranxilene®, Urbanil® e Valium®.
Alguns, são usados como
indutores do sono, para a insônia: Dalmadorm®,
Dormonid®, Noctal®, Rohypnol®, Sonotrat®.
Tranqüilizantes são a
classe de medicamentos mais usada no Brasil e nos Estados
Unidos. Em uma breve pesquisa do autor, quase 25% de
pessoas de uma empresa de Curitiba já haviam tomado
calmantes ou estavam usando calmantes.
Nenhum destes
medicamentos, em si, são ruins. Usados criteriosamente
sob estrito controle médico, para NÃO-DEPENDENTES
(alcoolistas e dependentes de outras drogas, mesmo em
recuperação, nunca devem tomar nenhum medicamento
potencialmente indutor de dependência, a não ser em
hospital!), são um recurso terapêutico valioso na
maioria dos problemas emocionais. Inclusive, salvam
vidas, quando as propriedades anticonvulsivas deles são
usadas para deter convulsões, quando suas propriedades
relaxantes musculares são usadas no tétano, e quando
são usados na abstinência alcoólica grave.
O problema é que todos
eles devem ser usados por curtos períodos, e somente
quando e enquanto forem necessários. Calmantes são
remédios para "dor emocional", e como os
analgésicos, devem ser usados por curtos períodos e
somente quando houver dor. Nunca devem ser tomados
continuamente por mais de 3 meses. Não devem ser tomados
"um ao deitar", mas quando houver insônia que
impeça o descanso; não devem ser tomados "duas
vezes por dia ou de 8 em 8 horas", mas quando houver
ansiedade suficiente para justificar o seu uso. Médicos
e pacientes devem repensar o uso de calmantes,
reservando-os para uso eventual e na menor dose e com
menor freqüência possíveis.
Usados continuamente por
semanas ou meses, acabam deixando de fazer o efeito
inicial; a dose necessita ser aumentada, e a dependência
se estabelece. O tempo necessário para que apareça a
dependência varia de uma pessoa a outra, mas ela acaba
aparecendo no usuário contínuo. A abstinência provoca
irritação, ansiedade, insônia, náuseas, dor de
cabeça, e raramente é grave. Pacientes que usam
calmantes por longo tempo e desejam abandoná-los devem
procurar um médico psiquiatra, com o qual combinarão um
esquema de diminuição progressiva da dose diária, e,
às vezes, a substituição gradual por um medicamento
anti-ansiedade ou antidepressivo não-indutor de
dependência.
Talvez o pior de tudo na
dependência de benzodiazepínicos seja a tolerância: o
remédio não faz mais o efeito, chegando-se ao ponto de
alguns pacientes que tomam doses potencialmente fatais
para pessoas não acostumadas sem que consigam dormir ou
diminuir sua ansiedade.
Um calmante é sempre uma
muleta química: como uma muleta física, a qual usamos
por algum período se, por exemplo, machucamos o joelho
ou quebramos a perna. A muleta e o gesso são
necessários por um período para que as lesões se
consertem. No entanto, se nos acostumamos com as muletas,
não as abandonando depois que o gesso é retirado, nossa
capacidade de andar sem muletas vai diminuindo; pior, o
que era um recurso terapêutico, agora é motivo de
doença. Não devemos temer os calmantes: se nos forem
prescritos, podemos tomá-los conforme sintamos
necessidade, mas não devemos nos acostumar a eles.
Um outro problema dos
calmantes é que não tratam nada, só aliviam sintomas.
Por exemplo, se temos sinusite, que provoca dores de
cabeça, ao tomarmos uma Aspirina®, Anador® ou
Tylenol®, estes podem retirar a dor. No entanto, a
sinusite continua lá, os seios da face cheios de pus. O
tratamento da sinusite envolve o uso de antibióticos,
descongestionantes e às vezes até cirurgia; demora a
fazer efeito, e ainda há muita dor. É claro que
medicamentos para a dor são prescritos para até que o
tratamento da doença faça efeito, mas somente ficar
tomando remédios para a dor só deixa a situação se
agravar. Da mesma maneira, não existe nenhum transtorno
em psiquiatria que não curse com ansiedade. O calmante,
o indutor do sono pode resolver o sintoma por um breve
período, mas não substitui o tratamento psicoterápico
ou com outros medicamentos psiquiátricos.
O uso crônico do
calmante pode, inclusive, piorar a doença que está por
trás da ansiedade que causou a prescrição do calmante.
Por exemplo, a depressão com ansiedade, se manejada
somente com calmantes, acaba piorando, pois os calmantes
são naturalmente depressores.
Clínicos gerais e
não-psiquiatras receitam mais calmantes que psiquiatras.
Na maioria das vezes, isto acontece porque não se sentem
à vontade para fazer o diagnóstico psiquiátrico
preciso, nem para iniciar tratamentos com outros
medicamentos psiquiátricos, e por saberem que, se
encaminharem o paciente ao psiquiatra, correm o risco de
magoar ou ofender o paciente. Ainda temos preconceitos
contra os psiquiatras, que são "médicos somente de
loucos", e que "enchem a gente de remédios que
dopam". Vamos ao cardiologista se nosso clínico nos
manda, consultamos o ortopedista quando nosso clinico nos
diz que o que podia fazer por nossa dor na coluna já
fez, vamos ao dermatologista quando o tratamento para
espinhas que o médico receitou não funcionou e ele acha
que é hora do especialista. No entanto, continuamos não
querendo ir ao psiquiatra tratarmos nossos problemas
emocionais.
Da mesma maneira, nenhum
remédio resolve os problemas de vida de ninguém: os
problemas conjugais, relacionais, sociais, afetivos,
sexuais e carenciais, no trabalho, na escola, a timidez,
a solidão, o orgulho, a autocomiseração, o egoísmo, a
culpa... continuam as mesmas ou pioram. Bem usados, os
calmantes e outros medicamentos psiquiátricos podem dar
uma "força" inicial para que a pessoa resolva
ou aceite e aprenda a conviver com seus problemas. Nunca
nenhum remédio deve ser usado como fuga de problemas. Se
existem problemas emocionais relacionados a fatos da
vida, a ajuda de um psiquiatra e de um psicólogo
experientes podem ajudar a pessoa a resolver suas
questões internas.
Para todo e qualquer
doença ou transtorno emocional, existem tratamentos
alternativos baseados em medicamentos que não geram
dependência. Não existe doença em que "tem que
ser faixa preta".
Existem dois tipos de
insônia: a que aparece isolada, sem outros sintomas de
problemas emocionais, e a que ocorre como parte dos
sintomas de um transtorno específico. Para a insônia do
segundo tipo, o que deve-se fazer é tratar a doença
básica, que o sono se regulariza; raramente, o uso de
indutores do sono por longos períodos se justifica, e
existem alternativas que não geram dependência se este
for o caso. Agora, o paciente com insônia isolada,
problema que todos ocasionalmente passamos, não precisa
de um indutor do sono, e sim, de corretos hábitos de
sono, como uma hora adequada e fixa para se deitar, uma
rotina para adormecer, e atividades relaxantes próximo
da hora de ir para a cama. De maneira geral, as pessoas
se preocupam demasiado com insônia: temos um mecanismo
de defesa interno, uma espécie de fusível, que faz com
que, se realmente estamos em risco para nosso corpo e
mente por falta de sono, adormeçamos, queiramos ou não.
O sono artificial, obtido de uma caixinha, raramente é
necessário.
Todos os
benzodiazepínicos, como qualquer medicamento
psiquiátrico, não devem ser misturados, em hipótese
alguma, com qualquer quantidade de álcool ou outras
drogas; as conseqüências são imprevisíveis, e não
raro incluem a morte. Somente devem ser usados sob
estrito controle médico, e nunca tomados em regime de
automedicação. Gestantes e mulheres que amamentam devem
somente tomar quaisquer medicamentos sob estrita ordem de
seus médicos.
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Última atualização desta página: 29/08/99