Associação Nova Vida
O tratamento é impossível, no
entanto, quando o paciente não está ainda realmente
convicto da necessidade de tratamento. Por maior que seja
a boa vontade de familiares e amigos, no entanto,
ninguém pode ajudar o paciente independente do desejo
real deste.
eUma vez que o paciente esteja
desejando o tratamento, o primeiro passo é a
abstinência total de qualquer droga potencialmente
causadora de dependência, mesmo que o paciente não seja
um usuário costumaz ou "descontrolado" da
droga. O tratamento da Dependência Química não é
somente parar de beber ou de usar outras drogas, mas,
enquanto continuar usando qualquer droga, com qualquer
freqüência, o paciente não estará em recuperação.
.Invariavelmente, os primeiros
dias sem a droga são difíceis, pois o corpo e a mente
do dependente exigem a droga. Os sintomas de abstinência
real, física, têm curta duração: em 5 a 10 dias, o
corpo já esqueceu da droga. Qualquer sintoma de
abstinência depois do 10° dia de abstinência total
são de natureza psicológica ou sintomas de algum
distúrbio físico ou mental desenvolvido durante o uso
da droga e não percebido durante a ativa.
Na primeira semana de
abstinência do álcool, que pode ser muito grave, ou
quando o dependente de qualquer droga desenvolva sintomas
psiquiátricos potencialmente ameaçadores ou muito
desconfortáveis, o médico geralmente entrará com
medicação. Esta medicação não é para o resto da
vida, mas para um período de tempo variável. Um
psiquiatra acostumado a tratar dependentes químicos pode
empregar o esquema de suporte medicamentoso mais adequado
ao caso.
O paciente deve entender que a
medicação é somente uma muleta química para os
primeiros tempos, e não o tratamento. Tampouco deve
esperar que o remédio lhe resolva todos os problemas.
Mesmo com o esquema mais adequado, ainda podem persistir
sintomas. A medicação evita que um quadro grave não se
desenvolva e retira os sintomas mais grosseiros. Desde o
primeiro comprimido, o dependente deve entender que não
deve substituir a droga de abuso pela droga médica, e
que medicação não pode resolver problemas de vida.
Qualquer medicamento para o
dependente deve ser NÃO-INDUTOR DE DEPENDÊNCIA, em
qualquer fase do tratamento. O paciente e sua família
devem estar atentos a este fato. Uma única exceção é
o alcoolista, que pode precisar de medicação calmante
NA PRIMEIRA SEMANA DE ABSTINÊNCIA SOMENTE.
Algumas vezes, o
paciente alcoolista tem risco ou desenvolve quadros de
abstinência graves, ou está com a saúde tão
debilitada pelo álcool que se espera complicações
físicas. Nestes casos, ele necessitará de uma
internação para desintoxicação. Esta internação é
idealmente realizada em hospital clínico, e deve ser de
curta duração (5 a 7 dias, em média). Muitos destes
pacientes necessitam medicação IV ("soro").
Em alguns casos, apesar
da medicação, o paciente tem dificuldade de se manter
longe da droga. Nestes casos, é sugerido ao paciente que
considere uma internação em hospital psiquiátrico,
para que consiga vencer os primeiros tempos de
abstinência. Esta internação é mais longa, geralmente
oscilando entre 30 a 90 dias.
Em outros casos ainda, o
paciente, mesmo em abstinência, apresenta algum
transtorno mental mais grave, por exemplo, com risco de
suicídio ou confusão mental. Nestes casos, também se
sugere a internação em hospital psiquiátrico.
Freqüentemente,
familiares e amigos bem intencionados querem internar o
paciente contra sua vontade. Os benefícios desta atitude
são questionáveis. Embora realmente uma minoria dos
pacientes internados "à força" acordem para a
necessidade de tratamento após um período de
afastamento forçado da droga, geralmente estas
internações involuntárias são pouco efetivas.
Se o paciente apresenta
grave transtorno mental, que, na opinião do médico e de
seus familiares, limite sua capacidade de decidir por si
mesmo, a internação involuntária pode ser realizada,
sempre de acordo com a lei. Nestes casos, no entanto,
não se trata de uma internação psiquiátrica para
tratamento da Dependência Química, mas do transtorno
mental relacionado a ela ou não.
Desde o primeiro dia de
tratamento, o paciente deve estar consciente de que
precisará de tratamento não-medicamentoso pelo resto de
sua vida, se desejar a recuperação. Este tratamento
pode ser feito em grupos de mútua ajuda (como os AA -
Alcóolicos Anônimos e os NA- Narcóticos Anônimos) ou
em grupos de apoio à abstinência em serviços de
tratamento especializado em dependência química. Não
importa como o paciente deseja fazer seu tratamento, a
grupoterapia é fundamental.
Vencida a abstinência
inicial, o paciente provavelmente já estará sem
medicação, a não ser que algum quadro psiquiátrico se
desenvolva que necessite de medicação não-indutora de
dependência. Recomeçará, aos poucos, a remontar sua
vida sem a droga.
Muitas vezes, a ajuda
psicoterapêutica individual pode auxiliar o paciente
nesta remontagem de vida. No entanto, somente a
psicoterapia individual, sem o suporte grupal,
dificilmente dá bons resultados. O paciente deve
procurar um psicoterapeuta acostumado a tratar de
dependentes químicos.
Finalmente, alguns
pacientes necessitam de tratamentos mais prolongados em
uma instituição, devido à grave situação
psicossocial em que se encontram, que lhes impede de
manter a abstinência e a recuperação na grande
sociedade. Para estes pacientes, é recomendado o
ingresso em uma Comunidade Terapêutica.
Os familiares do
dependente, ou seja, todas aquelas pessoas que vivem em
intimidade com o paciente, também necessitarão de
orientação e tratamento específico.
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Última atualização desta página: 29/08/99